Paradigmas da formação do médico : elementos para a avaliação da docência nos cursos de medicina
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Educação médicaMedicina - Estudo e ensino
Professores universitários - Avaliação
Escolas de medicina - Brasil
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Desde sua origem há aproximadamente dez séculos, a Universidade vem sendo reconstruída em função das transformações da sociedade que a constituiu. Essas mudanças se refletem diretamente sobre as práticas diárias de seus elementos formadores, os docentes. A cada processo transformador, novas atitudes e práticas são incorporadas à sua área de conhecimento específico, impondo-e necessidade de absorvê-las, processá-las e transmiti-las. Em uma área específica do conhecimento, como a Medicina, estas mudanças estão ocorrendo com velocidade muito superior à capacidade de incorporação do aparelho formador. O paradigma dominante na formação médica, idealizado por Abraham Flexner, em 1910, fundamentado no rigor científico, na pesquisa, no padrão biologista, mecanicista e hospitalocêntrico, produziu várias gerações de médicos. Em grande número, estes profissionais, especialistas em sua área de atuação, foram introduzidos no ambiente acadêmico, como professores, em função da abertura maciça de novas escolas. Sem formação docente específica, passaram a ensinar como aprenderam - produzindo especialistas. Em meados da década de setenta do século passado, importantes conferências mundiais começam a transformar o chamado paradigma "flexneriano". O foco volta-se para o atendimento primário e a promoção da saúde, dando origem ao chamado modelo da "integralidade" distinto, em praticamente todos os aspectos, do modelo tradicional. Os mecanismos avaliativos destes profissionais docentes, entretanto, continuam a se basear fundamentalmente em critérios bibliométricos e, mais grave, na equivocada concepção de atribuir maior valor ao pesquisador com maior produção científica, sem considerar aspectos locais. Para assegurar a eficiência, qualidade e resposta às necessidades sociais que permeiam os problemas de saúde, há a necessidade de se formar o docente no contexto educacional e sócio-econômico em que a saúde funciona. A formação qualitativa dos docentes passa a ser, assim, um assunto de ética pedagógica e social durante todas as décadas que perdurar sua carreira profissional. Em conclusão, os mecanismos avaliativos devem ser inéditos e originados depois de adequado processo de formação continuada por parte das instituições de ensino. Este deve indicar ao docente a importância de sua formação ética e humanística, contextualizando-o nas demandas da sociedade e possibilitando que o mesmo, através do espírito crítico e da autoavaliação, seja capaz de aprimorar o próprio processo de formação médica.
