Avaliação laboratorial de pacientes sob tratamento com medicamentos à base de cannabis: uma revisão narrativa
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O uso de medicamentos à base de cannabis tem se expandido no contexto terapêutico, especialmente em distúrbios neurológicos e psiquiátricos, como epilepsia, ansiedade, depressão e dor crônica. Os principais compostos bioativos da planta, o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), apresentam efeitos distintos: o THC atua predominantemente em receptores CB1 e está associado a propriedades analgésicas e psicoativas, enquanto pesquisas indicam que o CBD possui ação moduladora e terapêutica em diversas condições clínicas. Apesar do potencial terapêutico, o uso prolongado de derivados de cannabis pode ocasionar alterações hepáticas, agravadas pela ausência de monitoramento laboratorial adequado e por interações medicamentosas, especialmente com opioides. Dessa forma, a avaliação de parâmetros como ALT, AST, GGT, bilirrubinas, fosfatase alcalina e função renal torna-se fundamental para a detecção precoce de hepatotoxicidade e outras complicações. Esta revisão narrativa, realizada a partir de artigos publicados em bases científicas como PubMed, Scielo e Google Scholar, reúne evidências, do ponto de vista laboratorial, sobre os efeitos da cannabis no organismo, seus riscos e a importância do acompanhamento de pacientes em tratamento. Conclui-se que o monitoramento sistemático de biomarcadores hepáticos e renais deve ser incorporado às práticas clínicas, garantindo maior segurança no uso terapêutico da cannabis.
