Eficácia do uso de nanopartículas biogênicas no tratamento endodôntico
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O tratamento endodôntico visa a completa desinfecção dos canais radiculares para evitar possíveis reinfecções. Substâncias química tradicionais, como hipoclorito de sódio, apresentam limitações relacionadas à toxicidade, reações alérgicas e eficácia reduzida em áreas de difícil acesso anatômico. Nesse contexto, a nanotecnologia biogênica para desenvolvimento de substância química no tratamento endodôntico está se mostrando uma alternativa promissora. O presente estudo teve o objetivo de desenvolver e caracterizar uma substância química irrigadora baseada em síntese biogênica utilizando percussores metálicos de prata (Ag) e titânio (TiO2), avaliando suas propriedades antimicrobianas, citotóxicas e físico-química, visando eficácia antimicrobiana e biocompatibilidade. Inicialmente foi realizado a síntese biogênica utilizando óleo essencial de melaleuca como agente redutor e estabilizante. As nanopartículas de prata foram sintetizadas a partir dos precursores nitrato de prata (AgNO3), enquanto nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2Nps) obtidas por hidrólise do precursor Isopropóxido de titânio. Os testes de caracterização utilizados foram o de análise de rastreamento de nanopartículas (NTA) para determinar a concentração e distribuição de tamanho das partículas e o teste de microscopia eletrônica de varredura (MEV) para avaliar a morfologia e tamanho das partículas. Os testes antimicrobianos utilizados para ambas amostras foram pelos métodos de discodifusão e Concentração Inibitória Mínima (MIC), utilizando as cepas patogênicas Enterococus faecalis (ATCC 51575), Pseudomonas aeruginosa (ATCC 27853), Escherichia coli (ATCC 25922), Staphylococcus aureus (ATCC 25923) e Cândida albicans (ATCC 10231). A viabilidade celular foi medida pelo ensaio de exclusão por azul de tripam, utilizando linhagens de fibroblastos 3T3. A constatação da síntese biogênica Ag e TiO2 pode ser observada pela alteração de cor correspondente adquirida e confirmada pelo teste de MEV, onde AgNps apresentam morfologia predominantemente esférica, com boa dispersão e tamanho relativamente homogêneo, já para Ti02Nps indicam a formação de nanopartículas com morfologia também esférica, porém, com maior tendência à aglomeração em comparação com as AgNps. O NTA mostrou nanopartículas com diâmetro médio de 359 ± 252nm com concentração de 71×1011 Nps/mL para TiO2Nps, já para AgNps apresentou resultado de diâmetro médio a 32±15nm com concentração de 9,55 × 1010 Nps/mL. O teste de disco difusão mostraram comportamentos diferente das nanopartículas em relação a atividade nas diferentes cepas avaliadas, em geral evidenciando a melhor atividade das AgNps. A análise de MIC apresentou desempenho variável contra algumas bactérias e fungo patogênicos. Na análise de azul de tripam apresentaram viabilidade celular, com valor acima de 65% para AgNps, e acima de 90% para TiO2Nps. Foi possivel observar que em comparação com substâncias convencionais como o hipoclorito de sódio 2,5% e a clorexidina 2%, as nanopartículas biogênicas, especialmente as AgNps se destacaram pela eficácia contra cepas bacterianas resistentes e menor toxicidade celular.
