A literatura gótica vitoriana como resistência simbólica: repressão e homoerotismo em O Retrato de Dorian Gray
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Este artigo propõe analisar como a literatura gótica vitoriana, especialmente a obra O Retrato de Dorian Gray (1890), de Oscar Wilde, funciona como espaço simbólico de resistência frente à repressão social e sexual da época. O estudo parte da hipótese de que o gótico oferece uma linguagem metafórica para a expressão de desejos homoeróticos reprimidos, utilizando elementos como a duplicidade, o pecado e o monstruoso como representações simbólicas do conflito entre desejo e moralidade. A análise busca compreender de que maneira Wilde, perseguido moral e judicialmente em razão de sua sexualidade, articulou na obra um discurso literário de contestação e transgressão, transformando a estética em um campo político e afetivo. O trabalho desenvolve-se por meio de uma abordagem qualitativa e bibliográfica, aliada à análise textual do romance. Espera-se demonstrar que o gótico, mais do que um gênero literário, constitui um espaço de resistência simbólica que permite refletir sobre as formas de repressão, marginalização e invisibilidade das identidades LGBTQIA+ na sociedade contemporânea.
