Avaliação do potencial antimutagênico de fitoquímicos da Dipteryx alata vogel e efeitos da farinha do baru sobre o bloqueio neuromuscular do veneno da Lachesis muta muta
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A Organização Mundial da Saúde estima que a quantidade de pessoas picadas por serpentes pode atingir anualmente a cifra de milhões, justificando a busca de alternativas para minimizar a gravidade do acidente ofídico. Os objetivos deste projeto foram avaliar o potencial antimutagênico da betulina e vanilina (Dipteryx alata Vogel) comparativamente ao resveratrol e os efeitos da farinha do fruto do baru sobre o bloqueio neuromuscular e a miotoxicidade induzidos pelo veneno da Lachesis muta muta. A eficácia da farinha contra o veneno foi avaliada por eletroforese e dosagem de proteínas. O delineamento do estudo foi in vitro e ex vivo com uso de animais, aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais. A antimutagenicidade foi realizada através do ensaio Salmonella/microssoma em cepas TA97a, TA98, TA100 e TA102, com (+S9) e sem (-S9) ativação metabólica. Os ensaios ex vivo foram realizados em preparações nervo frênico-diafragma (NFD) de camundongos, através de técnica miográfica convencional, em modelos de pré incubação, pré veneno e pós veneno. As preparações resultantes do melhor desfecho farmacológico foram analisadas por microscopia de luz. Os resultados (média ± E.P.M.) foram analisados utilizando-se Anova-One way seguido de teste de Tukey e valores com p<0,05 considerados significativos. A eletroforese de proteínas foi realizada em gel de poliacrilamida contendo dodecil sulfato de sódio (SDS-PAGE) e a dosagem de proteínas através do método de Bradford. O resveratrol inibiu fortemente todos os mutágenos nas condições testadas (-S9 e +S9). A vanilina inibiu moderadamente o mutágeno de TA97a (-S9) e fortemente em todas as cepas sob +S9. A betulina inibiu moderadamente o mutágeno de TA97a (-S9), fortemente TA100 e TA102 (-S9) e todas as cepas sob +S9. Os resultados obtidos foram todos dependentes da concentração. Em preparações NFD, selecionou-se a concentração de 1000 µg/mL de farinha de baru para os ensaios posteriores com o veneno (100 µg/mL, n=6). Os modelos pré e pós falharam na proteção contra o bloqueio induzido pelo veneno. O veneno inibiu 62,1% (n=6), enquanto a pré incubação inibiu apenas 30,6% da resposta contrátil (n=6). O veneno lesionou significativamente 35,3 ± 1,72% das fibras musculares em relação aos demais tratamentos, como a farinha 21,6 ± 1,71%, o controle Tyrode, 13,8 ± 3,56% e pré incubação 19,3 ± 1,98%. A eletroforese permitiu a visualização das bandas proteicas do veneno de L. m. muta, cuja intensidade diminuiu quando em mistura com a farinha de baru, confirmada pela quantificação de proteínas (de 6,84 µg ± 1,7 para 1,42 µg ± 0,003). Conclui-se que a Dipteryx alata é uma planta promissora cujos compostos devem ser explorados medicinalmente como pela propriedade antimutagênica demonstradas pela betulina e vanilina, além da farinha comestível do fruto do baru que atenuou os efeitos tóxicos do veneno de L. m. muta, por mecanismo a ser esclarecido.
