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Fatores associados às complicações durante o uso de cateter venoso central de inserção periférica em crianças hospitalizadas na primeira infância: estudo de caso-controle

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Dentre os avanços disponíveis para o cuidado de pacientes que necessitam da terapia intravenosa por tempo prolongado, destaca-se o Cateter Venoso Central de Inserção Periférica, do inglês (Peripherally Inserted Central Catheter). O aumento no uso desse dispositivo ocorre devido sua capacidade de prolongar a terapia intravenosa com menos punções, a promoção de segurança ao minimizar complicações como pneumotórax, hemorragia e infecção. Além da possibilidade de inserção no leito por enfermeiros qualificados. No entanto, o dispositivo não está isento de complicações, como trombose venosa profunda, obstrução, pseudoaneurismas arteriais, tromboflebite e infecções. O objetivo deste estudo é verificar fatores associados à ocorrência de complicações devido ao uso de PICC em crianças hospitalizadas na primeira infância no interior de São Paulo no período entre 2018 a 2022. Trata-se de um estudo caso-controle realizado em um hospital público do Estado de São Paulo, na cidade de Sorocaba. Considerou-se como caso qualquer tipo de complicação e nos controles a sua ausência. Os sujeitos da pesquisa foram pacientes pediátricos que fizeram uso do PICC na instituição no período de 2018 a 2022. O prontuário eletrônico foi utilizado como fonte de informação. Para caracterização da amostra, calcularam-se as frequências e medidas de tendência central e de dispersão das variáveis. Para análise das variáveis categóricas foram utilizados o teste qui-quadrado, ou exato de Fisher, e considerado significativo valores p menores do que 0,05. Ao investigar as medidas de associação, utilizaram-se modelos de regressão logística univariada e multivariada. A mesma rotina foi aplicada com a complicação mais frequente. Os resultados foram apresentados como odds ratios (OR) ajustados por sexo e idade e intervalos de confiança 95% (IC 95%). Foram analisados 392 prontuários com solicitação de inserção de PICC, com 125 inserções efetivadas. Incluíram-se na pesquisa 109 pacientes pediátricos entre 0 e 2 anos, dos quais 62 eram casos e 47 controles. A frequência de complicações relacionadas ao uso do PICC foi 56,9% (IC 95%: 47,3; 66,0%), e as mais frequentes foram obstrução 30,3% (IC 95%: 22,3; 39,7%), retirada acidental 10,1% e hiperemia 9,2%. Ao investigar os fatores associados, observou-se que há maior chance de complicação quando a criança permaneceu internada na unidade de cuidados intensivos neonatal pediátrico (OR 5,45 IC 95%: 1,20; 24,8%), e ao manter hidratação intravenosa (OR 3,71 IC 95%: 1,02; 13,52%). Quanto aos fatores associados a obstrução, crianças do sexo feminino (OR 2,93 IC 95%: 1,24; 6,91%), em uso de nutrição parenteral total (OR 2,97 IC 95%: 1,11; 7,94%) e presença síndrome de Down (OR 19,19 IC 95%: 2,23; ∞%) apresentaram maior chance de obstrução. Os resultados apontaram que mais da metade dos pacientes apresentaram complicações relacionadas ao uso do PICC. As crianças internadas na unidade cuidados intensivos, e as que mantinham hidratação intravenosa apresentam maior chance para desenvolver complicações. Isso pode ser atribuído à gravidade dos casos, internação prolongada e complexidade cirúrgica. A obstrução foi a complicação mais frequente e foi relacionada ao uso de nutrição parenteral total. Essa ocorrência também pode estar vinculada à falha na manutenção do dispositivo.


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