Leitura literária, construção de sentidos e formação crítica: uma análise dialógica de felicidade clandestina, de Clarice Lispector
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Este trabalho tem como objetivo analisar como a leitura dialógica do conto Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, pode contribuir para a construção de sentidos e para a formação crítica do sujeito leitor no ensino de literatura. A pesquisa fundamenta-se nos pressupostos da Análise Dialógica do Discurso, a partir das contribuições teóricas de Mikhail Bakhtin (1997) e Beth Brait (2013), articuladas às discussões sobre leitura literária, subjetividade e formação do leitor desenvolvidas por autores como Rildo Cosson (2014), Antonio Candido (1995) e Benedito Nunes (1995). Parte-se da compreensão da leitura literária como prática dialógica, na qual o leitor participa ativamente da relação com o texto, mobilizando experiências, repertórios e interpretações. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa, desenvolvida por meio da análise do conto Felicidade Clandestina, considerando seus elementos discursivos, a constituição das vozes presentes na narrativa e a representação da experiência leitora construída pela obra. A análise evidenciou que a narrativa clariceana representa a leitura como experiência estética e subjetiva marcada pelo desejo, pela imaginação, pela espera e pela relação afetiva com o livro. Observou-se, ainda, que os sentidos se constroem dialogicamente na interação entre sujeito, linguagem e texto literário, aspecto que contribui para reflexões acerca da subjetividade, da formação crítica e da dimensão humanizadora da literatura. Conclui-se que a leitura literária, sob uma perspectiva dialógica, constitui um importante espaço de reflexão, interpretação e construção significativa de sentidos, contribuindo para práticas mais reflexivas e participativas no ensino de literatura
