O brincar na perspectiva sócio-histórico-cultural : observação docente de práticas educativas no ensino superior
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Assunto
BrincarPrática de ensino
Professores -- Formação
Educação -- Estudo e ensino
Ensino superior
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Abstract
Esta pesquisa teve como foco o brincar na perspectiva sócio-histórico-cultural, com ênfase no Ensino Superior, um campo ainda pouco investigado sob esse enfoque. Partiu-se do pressuposto de que, embora frequentemente associado a contextos da infância, o brincar pode assumir, no Ensino Superior, configurações específicas que tensionam práticas educativas tradicionais e produzem deslocamentos na relação ensino-aprendizagem. O objetivo geral consistiu em compreender como docentes do Ensino Superior utilizam o brincar a partir da interpretação de suas práticas à luz do referencial da perspectiva sócio-histórico-cultural. Os objetivos específicos foram: (i) identificar os sentidos atribuídos pelos educadores ao brincar; (ii) analisar de que forma essas percepções influenciam suas práticas educativas; e (iii) comparar como tais conceitualizações se manifestam nas práticas observadas, identificando continuidades e rupturas em relação à Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural (TASHC). A fundamentação teórica apoiou-se na Teoria da Atividade Sócio-Histórico- Cultural, com base nos estudos de Vygotsky (1934/2001), Leontiev (1977), Engeström (1999) e em autores neovygotskyanos, como Holzman (2009), que concebem o brincar como uma atividade mediadora da constituição do sujeito. A pesquisa, de abordagem qualitativa, foi realizada com quatro docentes de uma universidade comunitária situada no interior do estado de São Paulo, atuantes em diferentes áreas do conhecimento. Os dados foram produzidos por meio de questionário online e de observações não-participantes em sala de aula, com registros em checklist adaptado do manual Peer Observation and Assessment of Teaching (Roberson, 2006) e notas de campo. A análise foi orientada por eixos teórico-analíticos construídos a partir do referencial adotado. Os resultados indicam que o brincar vygotskyano, no Ensino Superior, manifesta-se, majoritariamente, de forma não nomeada teoricamente. Ainda que os docentes, em sua maioria, não mobilizem uma compreensão aprofundada do brincar como atividade constitutiva do desenvolvimento e da práxis docente, as práticas observadas revelam elementos do brincar vygotskyano, tais como mediação simbólica, assunção de papéis, imaginação e reorganização da atividade pedagógica.
