Avaliação da eficácia do probiótico Lactobacillus rhamnosus GG contra os efeitos tóxicos in vitro e in vivo causados pelo clorpirifós
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Estima-se que até 2050 a população mundial chegará a nove bilhões de pessoas e que as mudanças climáticas causarão escassez de água e diminuição no rendimento das culturas mais importantes, impactando a produção, principalmente em países emergentes. O aumento da produção de alimentos demanda no aumento de uso de fertilizantes e pesticidas. Esses últimos causam vários distúrbios sobre a vida em geral, afetando a fauna e flora. Além do impacto ambiental, os pesticidas também são encontrados nos alimentos e águas, aumentando as vias de exposição e acumulação nos organismos vivos. Tem-se postulado o uso de microrganismos, como os lactobacilos, para desintoxicar ambientes contaminados com pesticidas. Neste trabalho avaliou-se a eficácia do probiótico Lactobacillus rhamnosus GG, obtido comercialmente, contra os efeitos tóxicos in vitro e in vivo causados pela exposição aguda e crônica ao pesticida organofosforado clorpirifós (P) em ratos. O desenho do estudo classifica-se em experimental in vitro e, in vivo com animais, aprovado pelo CEUA (Protocolo 174/2020). In vitro: realizou-se a extração do composto ativo do produto comercial Pyrinex® 480 EC e comparou-se com o padrão Sigma através de Cromatografia em Camada Delgada (CCD), seguidos de aferição da capacidade inibitória in vitro da colinesterase plasmática; realizaram-se ensaios de viabilidade com o probiótico para posterior estudo de mutagenicidade da mistura (probiótico + praguicida), através do teste de Ames em cepas de Salmonella Typhimurium TA97a, TA98, TA100 e TA102, com ativação metabólica. In vivo: estudo piloto de exposição aguda com administrações orais em ratos via gavagem de 5,4 mg/kg/peso corporal (pc) e 15 mg/kg/pc de P dissolvido em azeite de milho, seguido de coleta de sangue em animais eutanasiados após 3 h (n=3) e após 24 h (n=3) para posterior dosagem de colinesterase; estudo de exposição crônica da concentração eleita de P (15 mg/kg/pc) durante 90 dias e tratados com probiótico Lactobacillus rhamnosus GG em salina, igualmente via gavagem, comparativamente aos grupos controles (salina, probiótico e pesticida). Findo o período, os animais foram eutanasiados para a coleta das amostras biológicas e análises clínicas. Os resultados in vitro mostraram que o procedimento adotado para a extração de P de produto comercial foi eficiente, comparado ao padrão Sigma, e que ambos inibem a enzima colinesterase quando adicionados intencionalmente em amostras de soro, com diferença estatisticamente significativa em comparação ao controle. O procedimento de viabilidade foi efetivo e confirmou a presença da bactéria nas cápsulas. A toxicidade descendente de 20 mg/placa de P foi detectada nas cepas TA102, TA100 e TA97a e não na TA98. Quando incubado com probiótico, o pesticida foi mutagênico. Encontrou-se pela primeira vez a mutagenicidade in vitro do P, por mecanismos não esclarecidos. O probiótico mostrou-se atuante em modelo animal de forma sistêmica diminuindo a toxicidade do clorpirifós e causando a proteção na performance neuromotora (com diminuição de 5,46% e 34,79% nos grupos teste e praguicida, respectivamente), mas não sobre a colinesterase plasmática (com atividades enzimáticas de 328 U/L e 123 U/L nos grupos teste e praguicida, respectivamente), possivelmente pelas localizações e diferenças entre a acetilcolinesterase e colinesterase. Com esses dados o uso de bactérias probióticas para a redução dos níveis de organofosforados em alimentos é promissora, pois em modelo animal reduz sinais clínicos de intoxicação por este praguicida.
