Efetividade e segurança do pré-tratamento com analgésicos e anti-inflamatórios no manejo da dor em endodontia
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INTRODUÇÃO: Um dos objetivos do tratamento endodôntico é prevenir ou eliminar a dor associada a essa condição. Mesmo com a evolução das técnicas, ainda há relatos de dor após o tratamento, devido ao trauma causado aos tecidos periapicais. O pré-tratamento com medicamentos anti-inflamatórios (esteroides ou não-esteroides) e analgésicos (opioides e não opioides) é um recurso utilizado para alívio da dor e controle da inflamação em endodontia. Efetividade e segurança do pré-tratamento com esses medicamentos são parâmetros importantes para nortear a decisão clínica quanto ao uso (ou não), escolha do medicamento e posologia. OBJETIVO: Avaliar a efetividade e a segurança do prétratamento com analgésicos e anti-inflamatórios no manejo da dor em endodontia. MÉTODO: O primeiro estudo é um overview de revisões sistemáticas sobre a efetividade e segurança do pré-tratamento com analgésicos e anti-inflamatórios no manejo da dor após tratamento endodôntico, comparado a placebo ou outro controle empregado. Foram exploradas as bases de dados Cochrane Library; MEDLINE (via Pubmed); EMBASE; Web of Science; Biblioteca Virtual em Saúde e literatura cinzenta. Dois avaliadores, aos pares e de forma independente, realizaram a triagem de títulos e resumos, aplicaram os critérios de elegibilidade aos textos completos e prosseguiram com a extração de dados. A qualidade das revisões sistemáticas foi avaliada, aos pares e de forma independente, empregando a ferramenta AMSTAR 2. Os resultados foram apresentados em tabelas e descritos por síntese narrativa. O segundo estudo é uma revisão sistemática de ensaios clínicos controlados randomizados sobre a efetividade e segurança do pré-tratamento com dexametasona na prevenção da dor após tratamento endodôntico. As bases de dados Cochrane Library; MEDLINE (via Pubmed); EMBASE; Web of Science; Biblioteca Virtual em Saúde e literatura cinzenta foram consultadas. Dois revisores, aos pares e de forma independente, selecionaram os estudos, realizaram a extração de dados e avaliaram o risco de viés empregando a ferramenta da Cochrane. Os resultados deste estudo poderão subsidiar prescritores e profissionais da saúde quanto à efetividade e segurança do pré-tratamento com dexametasona no controle da dor após tratamento endodôntico. RESULTADOS: No primeiro estudo foram incluídas 14 revisões sistemáticas que atenderam aos critérios de elegibilidade, publicadas entre 2016 e 2022, envolvendo entre 3 e 30 estudos primários que abordavam o pré-tratamento com analgésicos e anti-inflamatórios. Seis revisões sistemáticas realizaram meta-análises e constataram que o prétratamento com corticosteroides orais ou parenterais reduziu a dor após tratamento endodôntico, em comparação com placebo, por 6, 12 e 24 horas. As revisões sistemáticas de anti-inflamatórios não-esteroides apresentaram muitos resultados conflitantes. A maioria das revisões apresentava qualidade criticamente baixa, e os dados sobre efeitos adversos foram pouco relatados. No segundo estudo foram incluídos nove ensaios clínicos controlados randomizados (ECCR), publicados entre 2009 e 2022. O tamanho das amostras variou de 50 a 160 voluntários, totalizando 825 pacientes. Os medicamentos comparados à dexametasona foram ibuprofeno, piroxicam, tramadol e outros corticosteroides como prednisolona e metilprednisolona; apenas um estudo não utilizou placebo como grupo controle. A via de administração oral foi avaliada na maioria dos estudos e em quatro ECCR dexametasona foi administrada por injeção intraligamentar, submucosa e supraperiosteal. Todos os estudos indicaram o uso de medicamento de resgate, se necessário, e a maioria recomendou ibuprofeno ou paracetamol. Dois estudos relataram a ocorrência de efeitos adversos, em um paciente de cada grupo (náusea [com tramadol] e gastrite [com piroxicam]). CONCLUSÃO: O pré-tratamento com analgésicos e antiinflamatórios para o manejo dor pós-operatória em endodontia tem sido bastante estudado, porém ainda não há conclusões definitivas devido à heterogeneidade e às limitações metodológicas dos estudos primários e revisões sistemáticas. Dentre os fármacos avaliados, corticosteroides, especialmente dexametasona 4 mg por via oral, demonstraram os resultados mais consistentes na redução da dor pós-operatória em comparação ao placebo, com alguns estudos indicando benefícios por até 24 horas. Além disso, não foram relatados efeitos adversos, sugerindo que dexametasona pode ser uma opção segura. No entanto, variações na dose, via de administração, diagnóstico e técnicas de tratamento dificultam recomendações clínicas assertivas.
