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Avaliação clínica, macroscópica, microscópica das lesões hepática e renal induzidas por venenos ofídicos em ratos tratados com hemoperfusão

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Introdução: O acidente ofídico compõe a lista das doenças negligenciadas pela Organização Mundial de Saúde, que afeta inúmeras pessoas mundialmente, inclusive o Brasil, que registrou 27.261 acidentes com serpentes peçonhentas em 2015, de acordo com os dados do Ministério da Saúde. No Brasil, entre 2009 a 2013, 86,2% dos casos foram causados por serpentes do gênero Bothrops e 9% do gênero Crotalus. Os acidentes ofídicos apresentam maior letalidade (0,41%) que outros animais peçonhentos como escorpiões (0,13%) e aranhas (0,05%). A Lesão Renal Aguda (LRA) é a principal causa de morte entre os pacientes que sobrevivem aos primeiros efeitos do veneno ofídico, sendo a necrose tubular aguda a lesão histológica renal mais frequentemente encontrada. O tratamento oficial é a soroterapia. Entretanto, em casos graves a hemoperfusão pode representar uma opção auxiliar ao tratamento de acidentes ofídicos. Nesta técnica, o sangue é bombeado a partir de uma canulação venal central e passa por um cartucho de material adsorvente, como carvão ativado ou resina. Objetivo: O objetivo geral deste estudo foi induzir lesão renal em ratos com venenos ofídicos de Bothrops jararaca (vBj) e Crotalus durissus terrificus (vCdt) e aplicar a técnica de hemoperfusão (HP) como proposta de tratamento, comparativamente à soroterapia. Os objetivos específicos foram avaliar: clinicamente; macroscopicamente as condições gerais post mortem; e, microscopicamente as lesões em órgãos e tecidos afetados - dos grupos de animais submetidos aos diferentes protocolos experimentais. Métodos: Os animais foram divididos aleatoriamente em 9 grupos de 3 animais e receberam intraperitonealmente (i.p.): GI: vBj, 2 h após tampão salina (PBS); GII: vCdt, 2 h após PBS; GIII: controle HP; GIV: vBj, 2 h após antiveneno botrópico (AntivB); GV: vCdt, 2h após antiveneno crotálico (AntivC); GVI: vBj, 2 h após HP; GVII: vCdt, 2 h após HP; GVIII: PBS, 2 h após AntivB; GIX: PBS, 2 h após AntivC. A avaliação clínica foi realizada através de acompanhamento de cada grupo e documentada com fotografia e filmagem. A avaliação macroscópica das lesões foi realizada através de avaliação post mortem e documentada através de fotografias. A avaliação microscópica foi realizada através de microscopia de luz. Resultados: Os animais dos grupos controle dos venenos botrópico (G-I) e crotálico (G-II) apresentaram agravamento dos sintomas clínicos levando os animais a óbito em poucas horas, e nos animais com veneno botrópico apresentaram hemorragia abdominal. O grupo controle do hemoperfusor apenas (G-III) não apresentou qualquer alteração, sobrevivendo as 24 h do experimento. Nos grupos venenos e antiveneno (G-IV e G-V) todos os animais sobreviveram as 24 h, porém os animais com veneno botrópico apresentaram moderada hemorragia abdominal. No grupo hemoperfusor e veneno botrópico (G-VI) um animal sobreviveu 8 h e dois animais vieram a óbito durante o procedimento, por hemorragia no local da canulação, já no grupo hemoperfusor e veneno crotálico (G-VII) dois animais vieram a óbito após 8 horas e um dos animais veio a óbito após 12 h após a administração do veneno. Os grupos controle dos antivenenos específicos apenas (G-VIII e G-IX) não apresentaram nenhuma alteração sobrevivendo as 24 h. Na avaliação histológica comprovou-se não apenas a lesão renal que fora intencionalmente induzida pelos venenos, como também a lesão hepática. Em ambos os tecidos foram visualizadas graves alterações morfológicas e celulares. Nos grupos tratados com hemoperfusor (G-VI e G-VII) foi possível notar uma diminuição nas lesões quando comparadas ao veneno isolado (G-I e G-II), cujas lesões também foram atenuadas com o uso de antivenenos específicos (G-IV e G-V) contra cada veneno. Conclusão: Considerando todos os resultados em conjunto no modelo experimental adotado, conclui-se que em animais com lesão renal aguda causadas por venenos de Bothrops jararaca e Crotalus durissus terrificus, o uso de antivenenos específicos garantiu a sobrevivência dos animais, mas não o reparo tecidual, pelo período adotado experimentalmente de 24 h, enquanto o uso da técnica de hemoperfusão aumentou a longevidade dos animais em 33% e 48%, respectivamente para cada veneno. Sugerimos, em estudos futuros, que a técnica da hemoperfusão seja realizada concomitantemente à administração de soroterapia.


Notes

*Trabalho completo contendo artigos científicos. Aguardando a publicação dos resultados.

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