Desenvolvimento e validação de estrutura para avaliação do desempenho da gestão de resíduos nos serviços de saúde
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No Brasil, o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (RSS) enfrenta desafios agravados pela conscientização pública e pela ausência de práticas padronizadas nas instituições de saúde. Diante desse cenário, esta pesquisa propôs desenvolver e validar um instrumento para avaliar o desempenho do gerenciamento de RSS para subsidiar ações preventivas e corretivas, promovendo práticas mais seguras e sustentáveis. O estudo foi realizado no Hospital Regional de Sorocaba “Dr. Adib Domingues Jatene”, utilizando uma abordagem metodológica de métodos mistos (qualitativo e quantitativo). Foi desenvolvido o Instrumento de Avaliação do Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (IAGRAS), composto por sete indicadores-chave relacionados à segregação, conhecimento do PGRSS, treinamento, logística de transporte, regulamentações, destino dos resíduos e biossegurança. O instrumento foi validado por especialistas por meio do Índice de Validade de Conteúdo (IVC), obtendo conformidade. A coleta de dados envolveu 50 profissionais de enfermagem e higiene, representando uma amostra hospitalar. Os dados foram analisados estatisticamente por meio do software BioEstat 5.0, estatística descritiva e teste de D’Agostino para verificar a normalidade. Os resultados revelaram que, embora haja uma percepção positiva da gestão de resíduos, persistem barreiras importantes, especialmente no conhecimento das normas e na aplicação prática das diretrizes do PGRSS. Os setores de Centro Cirúrgico e Higiene apresentaram os melhores desempenhos, enquanto as clínicas cirúrgicas do 4º e 5º andares apresentaram fragilidades, indicando a necessidade de intervenções específicas. A análise dos indicadores apontou a importância de treinamentos contínuos, padronização de práticas e fortalecimento da cultura organizacional, que é voltada para a sustentabilidade e biossegurança. A pesquisa conclui que o IAGRAS é uma ferramenta eficaz para diagnosticar o desempenho da gestão de RSS, identificar pontos críticos e propor estratégias de melhoria. Adotar medidas como campanhas educativas, treinamentos periódicos e revisão de protocolos de gestão pode contribuir significativamente para a redução de riscos à saúde pública e ao meio ambiente e promover o cumprimento das normas regulamentadoras. Este trabalho pode contribuir para o avanço do conhecimento em gestão ambiental em saúde, oferecendo um modelo replicável para outras instituições e reforçando a importância da responsabilidade compartilhada na gestão de resíduos. A validação do instrumento e os resultados obtidos demonstram seu potencial como ferramenta estratégica para a melhoria contínua dos serviços de saúde.
