Avaliação da segurança de associações de compostos antibacterianos: estudo in vivo
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A resistência antimicrobiana representa um dos principais desafios da saúde pública global, comprometendo a eficácia de antibióticos amplamente utilizados, como a amoxicilina. Diante da escassez de novas moléculas e do avanço de microrganismos multirresistentes, a associação de antibióticos com compostos naturais bioativos surge como uma estratégia promissora para potencializar a ação terapêutica e reduzir efeitos adversos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a segurança de associações de compostos antibacterianos contendo amoxicilina, nisina, curcumina, sericina e nanocelulose bacteriana, por meio de exposição oral repetida, em ratos Wistar, conforme as diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) 407. Foram utilizados 48 animais (n=12/grupo, sendo 6 machos e 6 fêmeas), mantidos em microisoladores ambientais, com água e ração ad libitum, distribuídos em quatro grupos experimentais: C (controle), N (nisina), NC (nisina + curcumina) e NCS (nisina + curcumina + sericina). Com exceção do controle, todos os grupos receberam formulações contendo amoxicilina (3 mg/mL) e nanocelulose bacteriana (5%), associadas aos compostos correspondentes: nisina (1,25 mg/mL), curcumina (4 mg/mL) e sericina (1 mg/mL). As formulações foram administradas por gavagem (1 mL/dia) durante 28 dias consecutivos, e os animais foram submetidos a análises hematológicas, bioquímicas, oxidativas e histológicas, considerando também o dimorfismo sexual. As associações demonstraram perfil de segurança satisfatório, sem indícios de toxicidade sistêmica, e as variações observadas foram leves e compatíveis com respostas fisiológicas adaptativas. A combinação nisina + curcumina (NC) destacou-se por apresentar o melhor equilíbrio bioquímico e oxidativo, sendo considerada a formulação mais segura entre as analisadas, resultado atribuído ao papel antioxidante e modulador da curcumina frente aos possíveis efeitos próoxidantes da nisina associada à amoxicilina. Já a formulação com sericina (NCS) exerceu influência discreta sobre parâmetros hematológicos e lipídicos, sem comprometimento tecidual, reforçando sua biocompatibilidade e ação regulatória. Em conjunto, os resultados indicam que as formulações não são inerentemente tóxicas, e que a adição dos compostos naturais à amoxicilina atua de forma moduladora, atenuando possíveis efeitos oxidativos e estruturais. Conclui-se que as associações avaliadas são seguras e bem toleradas nas condições experimentais testadas, representando um potencial promissor para o desenvolvimento de terapias antibacterianas mais seguras e fisiologicamente equilibradas.
