Uso de antipsicóticos de segunda geração no transtorno do espectro autista (TEA): revisão sistemática e análise de impacto orçamentário
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Introdução: antipsicóticos de segunda geração são usados no comportamento agressivo associado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pouco se sabe sobre a eficácia e segurança desses medicamentos comparados entre si e através de coortes prospectivas. No Brasil, o único antipsicótico de segunda geração com registro sanitário para esta condição é a risperidona, que foi incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014. Desde lá, nenhuma atualização a respeito de seu impacto orçamentário para o SUS foi realizada Objetivo: avaliar a eficácia e segurança dos antipsicóticos de segunda geração no TEA e investigar o impacto orçamentário do uso de risperidona no comportamento agressivo associado ao TEA, no SUS. Métodos: uma revisão sistemática foi realizada para analisar os antipsicóticos de segunda geração no TEA, independentemente da faixa etária. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados e coortes prospectivas. Uma busca foi realizada em sete bases de dados, incluindo outras fontes de informações. Todas as etapas foram realizadas de forma independente por dois revisores e a avaliação da qualidade metodológica foi realizada através da ferramenta Cochrane's Risk of Bias (RoB) tool version 2.0. Os desfechos examinados foram sinais e sintomas do comportamento agressivo, qualidade de vida, descontinuação total e/ou por eventos adversos, eventos adversos do sistema nervoso central e do metabolismo, bem como ganho de peso. Modelos bayesianos de metanálise foram utilizados para sumarizar os resultados dos desfechos primários; a certeza da evidência, por meio da ferramenta Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (GRADE) system, também foi analisada para estes desfechos. A Análise de Impacto Orçamentário (AIO) foi realizada seguindo as diretrizes metodológica brasileiras e considerou um horizonte temporal de 5 anos (2022-2026). A perspectiva adotada foi o SUS e utilizouse dados epidemiológicos e de demanda aferida para comparar os resultados. Testes estatísticos foram adotados para comparar essas formas de cálculo. Resultados: 12 ECR foram incluídos, envolvendo 1101 participantes. Nenhuma coorte prospectiva foi identificada, tampouco estudos com participantes maiores de 18 anos. A qualidade da evidência foi de alto risco de viés, ou algumas preocupações para os desfechos de interesse e a certeza da evidência foi baixa a muito baixa. Os antipsicóticos risperidona e aripiprazol foram eficazes em relação ao placebo (diferença média variando de -5,7 a -7,1 em uma escala de 0 a 45; e -0,77 a -0,85 em uma escala de 1 a 7), mas não apresentaram diferenças quando comparados entre si. Os antipsicóticos apresentaram risco relativo menor (0.30 a 0.51) de descontinuação em relação ao placebo. Em relação à AIO, os cenários 1 (I$ 7.630.040,73) em que todos as crianças recebem comprimidos de 2 mg, e 3 (I$ 60.329.288,17) em que todos os adultos recebem comprimidos de 3 mg foram os mais vantajosos. Diferenças significativas (p<0.05) foram observadas ao comparar as estimativas de gastos dos dados epidemiológicos e demanda aferida; essas diferenças permaneceram após análises de sensibilidade. Gastos importantes foram observados com o monitoramento de eventos adversos. Conclusão: os antipsicóticos foram superiores ao placebo em relação a eficácia e segurança, mas devido aos dados esparsos e ao alto risco de viés não foi possível identificar o antipsicóticos mais recomendado no TEA. Gastos importantes foram estimados para o uso de risperidona no SUS e o monitoramento de eventos adversos, com diferenças significativas entre as estimativas a partir de dados epidemiológicos e de demanda aferida.
