Práticas populares na urbe: a Feira Beco do Inferno como lugar da comunicação e empoderamento social
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Resumo / Abstract
O estudo da cidade demanda uma abordagem interdisciplinar para abranger suas diversas dimensões. No contexto deste trabalho, as práticas socioculturais em espaços públicos são analisadas como atos de resistência e empoderamento social. O presente estudo situa-se na área da Comunicação e Cultura, tendo a Geografia Cultural como área agregada, uma vez que aborda os espaços da urbe como produtores de uma comunicação de resistência. Dessa maneira, o objeto de estudo é a comunicação propiciada pelo evento Feira Beco do Inferno, entendendo-a como lugar da comunicação popular e do empoderamento social, uma vez que reúne artistas de arte de rua – e outros – que, muitas vezes, são marginalizados pela cultura dominante. A investigação delineia-se pela seguinte questão: como a comunicação interpessoal e as práticas socioculturais, em eventos alternativos como a Feira Beco do Inferno, influenciam a experiência urbana a partir da ocupação dos espaços públicos centrais? Com a pergunta norteadora, traça-se o objetivo geral de compreender como a comunicação ocorre nas edições da Feira Beco do Inferno, realizada na cidade de Sorocaba, SP, e quais conteúdos são reveladores da experiência dos atores sociais na urbe. Para tanto, utiliza-se as contribuições de Milton Santos e Joice Berth para questões de cidade, de forma complementar, as contribuições de Nestor García Canclini e Zygmunt Bauman para questões de identidade territorial e espaços públicos. No campo da Comunicação, recorre-se a Luiz Beltrão e Stuart Hall. Como aporte metodológico, recorre-se a etnografia urbana de José Guilherme Cantor Magnani, a partir de um estudo que investe tanto nos atores sociais quanto no ambiente urbano, a partir de uma análise observacional das edições 28ª, 29ª e 30ª da Feira Beco do Inferno, realizadas em 2024, tendo, como resultado o apontamento de que o evento estudado é um importante aparelho de empoderamento social, reforçando o direito de ocupar e transformar o espaço público em um lugar inclusivo, de diálogo, resistência e acessibilidade