Efetividade e segurança do uso preemptivo de anti- inflamatórios e analgésicos em cirurgia bucal : uma abordagem baseada em estudos secundários
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Procedimentos cirúrgicos induzem respostas inflamatórias que resultam em dor, edema e trismo no período pós-operatório. Anti-inflamatórios e analgésicos têm sido amplamente utilizados para mitigar essas respostas; entretanto, há necessidade em identificar os regimes terapêuticos mais recomendados. Esta tese investigou a efetividade e segurança do uso preemptivo dessas classes de medicamentos em cirurgias bucais. O artigo 1 foi uma revisão de revisões sistemáticas (RS) de ensaios clínicos randomizados (ECR) que sintetizou os achados sobre a eficácia e segurança dos anti-inflamatórios e analgésicos em cirurgias orais. As principais fontes de dados exploradas foram Biblioteca Virtual em Saúde, Cochrane, EMBASE, Epistemonikos, MEDLINE, Scopus e Web of Science. O artigo 2 consistiu em uma revisão sistemática que avaliou a eficácia e segurança dos anti-inflamatórios e analgésicos em cirurgias de implante dental. Os ECR foram buscados nas seguintes bases eletrônicas: Biblioteca Virtual em Saúde, Cochrane, EMBASE, MEDLINE e Web of Science. Em ambos os estudos, dois avaliadores, de forma independente e em pares, realizaram a triagem de títulos e resumos, aplicaram critérios de elegibilidade aos textos completos, extraíram os dados, avaliaram o risco de viés dos estudos e realizaram a síntese narrativa dos achados. O artigo 1 incluiu 20 RS (n= 136 ECR) os quais apresentaram pelo menos duas falhas metodológicas críticas. Cirurgia do terceiro molar foi o procedimento mais estudado (n= 15), corticoides foram os medicamentos mais estudados (n= 10) e a via oral foi a mais relatada (n= 12). Betametasona (10mg, 20mg e 60mg); dexametasona (4mg e 8mg); metilprednisolona (16mg, 20mg, 40mg, 60mg, 80mg e 125mg); prednisolona (10mg e 20mg) administrados pelas vias oral, pterigomandibular, submandibular, submucosa, intramuscular (IM) e intravenosa (IV); e também os anti-inflamatórios não esteroides celecoxibe (200mg), diclofenaco (25mg, 30mg, 50mg, 75mg e 100mg), etoricoxibe (120mg), ibuprofeno (400mg e 600mg), cetorolaco (30mg), meloxicam (7,5mg, 10mg e 15mg), nimesulida (100mg) e rofecoxibe (50mg) administrados por via oral, IM e IV; mostraram reduzir dor, edema e trismo em pacientes submetidos à cirurgia de terceiro molar. Dados sobre efeitos adversos foram pouco relatados pelas RS. O uso preemptivo oral dos anti- inflamatórios avaliados pode ser recomendado para pacientes submetidos a cirurgias orais, especialmente a exodontia de terceiros molares, procedimento mais estudado. Além disso, a diversidade de fármacos, doses, vias de administração, tempo de seguimento e limitada qualidade da evidência, reforçam a necessidade de mais estudos para confirmar esses achados. O artigo 2 incluiu 9 ECR (n= 2.712 participantes) que apresentaram pelo menos um risco de viés. Uso oral preemptivo de acetaminofeno 750mg, cetoprofeno 25mg, etoricoxibe 90mg, ibuprofeno 600mg e nimesulida 100mg mostrou reduzir dor e edema comparado ao placebo. Uso oral pré e pós-operatório de acetaminofeno 1000mg, aceclofenaco 100mg com acetaminofeno 325mg, dexametasona 4mg, ibuprofeno 600mg, meloxicam 15mg, piroxicam 40mg e tenoxicam 20mg controlaram dor e inflamação. Apesar destes medicamentos parecerem ser eficazes e seguros para uso em pacientes submetidos às cirurgias de implantes, tais achados precisam ser confirmados devido às limitações metodológicas e à variabilidade entre os fármacos e doses avaliados. Os resultados desta tese podem contribuir para informar cirurgiões-dentistas, pacientes e comunidade científica sobre as evidências científicas do manejo farmacológico da dor e inflamação em cirurgias bucais.
