Phagevet : isolamento, caracterização e aplicação terapêutica de bacteriófagos líticos para Escherichia coli em medicina veterinária
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Escherichia coli (E. coli) é uma das bactérias mais prevalentes nas infecções que acometem animais domésticos, sendo amplamente relacionada à redução da eficiência reprodutiva. Na clínica de cães e gatos, a infecção uterina é chamada de piometra, sua evolução pode cursar com sepse e óbito, sendo o tratamento de eleição a ovariohisterectomia, em razão da resposta ineficaz a antibioticoterapia. O aumento da pressão de seleção e resistência bacteriana, associado a escassez de novos antibióticos, torna urgente a busca de alternativas terapêuticas, como a fagoterapia que se baseia na ação de bacteriófagos. Objetivou-se neste trabalho isolar e caracterizar por análises físicas, biológicas e moleculares, dois novos fagos vB_EcoM_Uniso11 (ph0011) e vB_EcoM_Uniso21 (ph0021), usando Escherichia coli Cefar CCCD-E003 como hospedeira. Após ampla caracterização, procedeu-se a estabilização estrutural e funcional dos fagos num coquetel, integrado num sistema de delivery do tipo óvulo vaginal, para aplicações terapêuticas em gatas e cadelas. Ambos os fagos isolados pertencem à ordem Caudovirales, sendo classificados como Myoviridae; fago ph0011 do gênero Asteriusvirus e fago ph0021 do gênero Tequatrovírus. Seus genomas de 348.288 pb (fago ph0011) e 165.222 pb (fago ph0021) não codificam toxinas, despolimerases, genes de integrases ou genes de resistência. Fagos ph0011 e ph0021 apresentaram boa replicação em E. coli e foram eficazes em ensaios de atividade antibacteriana in vitro e ex vivo, não infectando cepas de outras espécies bacterianas, denotando especificidade. O aumento da multiplicidade de infecção (MOI) de 1 para 1000 promoveu significativa eficiência in vitro e retardou o recrescimento de bactérias, enquanto nos ensaios ex vivo o aumento do MOI de 10 para 100 resultou em redução significativa da carga bacteriana. Embora ambos os fagos denotem potencial para controlar infecções por E. coli., fago ph0011 (redução de 4.24log UFC/mL) foi mais eficaz que fago ph0021 (redução de 1,90log UFC/mL) após 12h de incubação em MOI de 1000. Utilizados em forma de coquetel, foram altamente eficazes no controle da bactéria (redução de 5,57 log UFC/mL) em MOI de 100, após 12h de tratamento. Este estudo evidencia que os fagos isolados são potencialmente promissores contra infecções por E. coli, destacando sua estabilização estrutural e funcional em formulações do tipo óvulos vaginais.
