Heavy metal e prática discursiva: uma análise da capa de Peace Sells— but Who’s Buying?
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O presente trabalho analisa a capa do álbum Peace Sells... but Who’s Buying? (1986), da banda estadunidense de thrash metal Megadeth, a partir da articulação entre a Semiótica e a Análise Crítica do Discurso. O objetivo da pesquisa consiste em compreender de que maneira os elementos visuais presentes na imagem constroem significados sociais, políticos e históricos dentro e fora do universo cultural do heavy metal. Para isso, utiliza-se como base teórica as contribuições de Ferdinand de Saussure (1916) e Charles Sanders Peirce (1995) acerca do signo e da produção de sentidos, bem como os pressupostos da prática discursiva desenvolvidos por Norman Fairclough (1992). A pesquisa caracteriza-se como qualitativa e fundamenta-se na análise semiótica e discursiva da imagem selecionada. Inicialmente, são identificados e categorizados os principais signos presentes na capa, considerando suas funções icônicas, indiciais e simbólicas. Em seguida, discute-se a circulação social da imagem e as diferentes formas de recepção do discurso visual por públicos distintos. Por fim, relacionam-se os elementos da obra ao contexto histórico da Guerra Fria, evidenciando críticas sociais e políticas ligadas à guerra, à censura, à alienação e à mercantilização da paz. Os resultados demonstram que a capa ultrapassa sua dimensão estética e musical, constituindo-se como um discurso visual crítico e socialmente construído. Além disso, o trabalho contribui para a desmistificação de estereótipos associados ao heavy metal, compreendendo o gênero enquanto manifestação cultural capaz de produzir reflexões sociais, políticas e históricas.
