Avaliação da toxicidade de nanopartículas bimetálicas de prata e ouro ancoradas com Poloxamer-P407 (Ag/AuNP-P407) e interação com o veneno da serpente Bothrops jararaca
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Junção neuromuscularNanopartículas
Nanotecnologia
Miotoxicidade
Cobra venenosa – Veneno
Jararaca (Cobra)
Toxicologia
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Abstract
As nanopartículas (NPs) têm sido estudadas em diversas áreas da saúde e utilizadas principalmente em dispositivos biomédicos. Os objetivos deste trabalho foram: 1) avaliar o potencial farmacológico de nanopartículas bimetálicas de prata e ouro ancoradas com Poloxamer-P407 (Ag/AuNP-P407) contra os efeitos tóxicos - bloqueio neuromuscular e miotoxicidade - induzidos pelo veneno de Bothrops jararaca; 2) avaliar a toxicidade das nanopartículas obtidas pelo ensaio Salmonella/microssoma. O delineamento experimental foi tanto ex vivo em preparações isoladas de camundongos, utilizando-se técnica miográfica convencional, como in vitro em bactérias. No primeiro, utilizaram-se modelos farmacológicos de pré-incubação e pós veneno, seguido de microscopia de luz das preparações neuromusculares resultantes. Esses ensaios foram comparados estatisticamente com controles (Tyrode, veneno e Ag/AuNP-P407) e considerados significativos para valores com p<0,05 (Anova One-way seguido do teste de Tukey ou Student's t-test). A avaliação de toxicidade foi realizada em cepas TA97a, TA98, TA100 e TA102 de Salmonella Typhimurium auxotróficas para o aminoácido histidina, em triplicata, com e sem ativação metabólica. O ensaio-teste foi comparado estatisticamente com controle positivos, negativos e espontâneos através do programa estatístico Origin e valores com p<0,05 foram considerados significativos. A mutagenicidade foi atribuída a valores com índice de mutagenicidade, IM ≥2,0. Os resultados obtidos destacam que o efeito de Ag/AuNPs-P407 em diferentes volumes (5, 10, 20 e 30 μL) sobre a resposta contrátil neuromuscular e a integridade celular. A preparação com 10 μL mostrou maior estabilidade contrátil e ação sinérgica na inibição da resposta promovida pelo veneno botrópico. O volume de 20 μL ofereceu proteção neuromuscular superior, preservando células normais e reduzindo a presença de células necróticas e ghost. Préincubações mostraram melhor desempenho na proteção celular comparadas ao modelo pós veneno. A miotoxicidade foi alta em todos os protocolos, mesmo com respostas contráteis preservadas. Ensaios Salmonella/microssoma indicaram proliferação bacteriana exacerbada em todas as concentrações testadas. A interação entre veneno e NPs foi essencial para a ação protetora. Conclui-se que o estudo demonstrou ação neurobloqueadora do veneno botrópico na concentração de 50 μg/mL, causando bloqueio de 50% em 120 minutos. As nanopartículas Ag/AuNPs- P407 apresentaram efeitos dependentes do volume: volumes menores (5 e 10 μL) estabilizaram ou potencializaram a resposta contrátil, enquanto volumes maiores (20 μL) reduziram a estabilidade. A pré-incubação com 20 μL atenuou o efeito neurobloqueador do veneno, mas volumes menores (10 μL) foram ineficazes e reduziram a resposta contrátil. No protocolo de pósexposição, 20 μL não ofereceram proteção significativa.
