Avaliação da antibioticoterapia nas unidades de terapia intensiva de adultos em um hospital de grande porte na Região Metropolitana de Sorocaba : estudo transversal
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Medicamentos - AdministraçãoAgentes antibacterianos
Unidade de tratamento intensivo
Farmacocinética
Drogas – Resistência em micro-organismos
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Abstract
O uso de antimicrobianos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é fundamental para o tratamento de infecções graves, sendo determinante para a sobrevida de paci- entes críticos. Entretanto, o uso inadequado e prolongado desses fármacos tem con- tribuído de forma expressiva para o aumento da resistência bacteriana, um dos maio- res desafios da saúde pública global. Esse cenário é agravado pelo predomínio de microrganismos multirresistentes, especialmente entre as bactérias Gram-negativas, o que reduz as opções terapêuticas e eleva os índices de morbimortalidade. O pre- sente estudo teve como objetivo avaliar o perfil de uso e sensibilidade dos antimicro- bianos na UTI adulto da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, correlacionando os padrões de prescrição e a adequação farmacocinética/farmacodinâmica (PK/PD) com o perfil microbiológico e os desfechos clínicos dos pacientes.Trata-se de estudo epi- demiológico, observacional, transversal, retrospectivo, quantitativo e analítico, reali- zado a partir da análise de prontuários de pacientes internados entre janeiro e dezem- bro de 2024. Foram coletadas informações demográficas, clínicas e microbiológicas, além de dados sobre prescrições e resultados de culturas e antibiogramas. A adequa- ção terapêutica foi verificada conforme os parâmetros do Sanford Guide to Antimicro- bial Therapy 2025, avaliandose a conformidade com os princípios PK/PD. As análises estatísticas incluíram frequências, médias e correlações entre tipo de patógeno, resis- tência e desfecho clínico. Houve predominância de pacientes idosos, com faixa etária entre 70 e 79 anos, e mortalidade mais elevada entre os de maior idade. Entre os microrganismos Gram-negativos, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa apresentaram taxas de resistência superiores a 90% para diversos antimicrobianos, especialmente β-lactâmicos. Entre os Gram-positivos, os Staphylococcus coagulase-negativos foram os mais prevalentes e resistentes. A aná- lise dos esquemas terapêuticos revelou divergências em relação às recomendações da diretriz, principalmente quanto ao uso de carbapenêmicos e aminoglicosídeos. Em- bora a maioria dos β-lactâmicos e glicopeptídeos tenha sido utilizada de forma ade- quada, identificaram-se oportunidades de aprimoramento em protocolos institucionais e monitoramento clínico-farmacêutico. Os achados reforçam a necessidade urgente de políticas institucionais de gerenciamento e uso racional de antimicrobianos, aliadas à vigilância microbiológica contínua e à capacitação das equipes multiprofissionais. Tais medidas são essenciais para otimizar os desfechos clínicos, reduzir a pressão seletiva e conter a disseminação da resistência bacteriana no ambiente hospitalar.
