O potencial comunicativo do afrofuturismo no vestuário de Naya Violeta na construção de espaços de coexistência
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Resumo / Abstract
Esta pesquisa, situada na interseção entre comunicação e moda, tem como tema o Afrofuturismo, entendido como uma alternativa para ressignificar a identidade negra no presente e no futuro, capaz de promover novas formas de alteridade e de convivência. A moda, concebida como linguagem e sistema de signos, utiliza a indumentária como um meio potente de comunicar e significar diferenças e relações com o "outro". Nesse contexto, surge a pergunta norteadora: como a moda afrofuturista da estilista brasileira Naya Violeta pode contribuir para a construção de espaços de coexistência? A partir disso, delineia-se o objetivo geral de compreender o modo como se dá essa contribuição, e os objetivos específicos consistem em apresentar a moda como linguagem produtora de significados, refletir sobre a alteridade como base para a criação de espaços de coexistência e apresentar o Afrofuturismo como um movimento de busca por pertencimento. A fundamentação teórica apoia-se em Branard Malcom e Alisson Lurie para discutir moda como comunicação. O conceito de Afrofuturismo será explorado desde sua origem, cunhada por Mark Derry, até as contribuições de Ytasha L. Womack, Kodwo Eshun e Reynaldo Anderson, além de diálogos com as reflexões de Stuart Hall, Paul Gilroy e Achille Mbembe sobre diáspora e negritude. A alteridade será atrelada às ideias de Mbembe. O objeto empírico, o fashion film da marca Naya Violeta exibido no São Paulo Fashion Week em maio de 2023, será analisado à luz da semiótica de Charles S. Peirce. Esta pesquisa justifica-se pela urgência de ampliar as discussões sobre a cultura afro, visando criar ferramentas antirracistas e desmistificar estereótipos.