Incapacidade após tratamento cirúrgico ou conservador em pacientes com lombalgia crônica: revisão sistemática
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Resumo / Abstract
INTRODUÇÃO: Lombalgia crônica é um problema de saúde brasileiro e mundial. Dentre as suas consequências, destaca-se a incapacidade do indivíduo no desempenho de suas atividades cotidianas. Para o seu tratamento, tem-se estudado um conjunto de medidas conservadoras e técnicas cirúrgicas. Entretanto, há controvérsias sobre a superioridade de uma modalidade de tratamento sobre a outra quanto à diminuição da incapacidade. OBJETIVO: Avaliar a eficácia da cirurgia em comparação ao tratamento conservador no tratamento da lombalgia crônica quanto à incapacidade. MÉTODO: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura com meta-análise. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que recrutaram pacientes com lombalgia crônica e que compararam cirurgia em relação ao manejo conservador e que estimaram o efeito na incapacidade pelo índice de incapacidade de Oswestry (ODI). As seguintes fontes de informação foram consultadas: MEDLINE (via PubMed), Embase, CENTRAL (Cochrane) e SCOPUS. Dois revisores independentes selecionaram os estudos pertinentes e as discordâncias foram solucionadas por consenso. A ferramenta de avaliação crítica da Cochrane foi utilizada na avaliação da qualidade dos estudos incluídos nesta revisão. Os dados dos estudos individuais foram agrupados em meta-análises de modelos aleatórios. Calculou-se o intervalo preditivo para a realização de novos estudos. A heterogeneidade foi investigada em subgrupos e em metarregressões. RESULTADOS: A busca resultou em 708 registros no qual foram identificados dez estudos que atenderam os critérios de inclusão. No total foram alocados no procedimento cirúrgico 839 pacientes e no conservador 625. Dentre as cirurgias, notou-se maior opção pela artrodese dinâmica. Exercícios físicos estiveram presentes em todos os estudos selecionados. O tempo de seguimentos nos estudos incluídos variou de 2 a 11 anos. Identificou-se falha no processo de cegamento dos participantes, assim como no vedamento dos avaliadores do ODI. A meta-análise aponta que a cirurgia em comparação ao tratamento conservador são equivalentes em relação ao ODI (diferença média padronizada [DMP] -0,10; intervalo de confiança à 95% [IC 95%] - 0,21 a 0,01; I²= 94,2%; intervalo preditivo -2,21 a 1,30). Ao estratificar os estudos pelo número de cirurgias, observou-se homogeneidade de resultados entre os estudos com maior tamanho da amostra, sem mudança na direção do resultado (DMP= -0,06; IC 95% -0,19 à 0,08; I²=0,0%; intervalo preditivo -0,36 a 0,24). As demais análises executadas não identificaram outras fontes de heterogeneidade. CONCLUSÕES: Os tratamentos cirúrgicos e conservadores são equivalentes quanto a incapacidade na lombalgia crônica. Assim, as opções parecem razoáveis naqueles com incapacidade importante.