Leituras em espera
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A fim de incorporar na pauta dos debates sobre leitura a questão da diversidade dos objetos e dos modos de leitura em sociedade, esta dissertação teve por objetivo analisar um espaço público de leitura pouco considerado pela cultura de prestígio: as salas de espera de consultórios médicos e odontológicos de Sorocaba, SP. Em uma relação de contraste, procurei mostrar como às representações sobre leitura, delineadas pela tradição letrada, são atribuídos valores e aparatos, concretos e simbólicos que restringem a prática da leitura a determinada classe social. Depois, verifiquei, em espaços públicos, que há outras formas de se ler e procurei saber quais os principais fatores intervenientes na constituição dessas leituras pouco consideradas culturalmente. Tentando compreender, mais profundamente, como se dão os modos difusos de leitura em sociedade, visitei dez salas de espera de dentistas e médicos, diversificados geográfica e socialmente e entrevistei as recepcionistas e/ou pessoas responsáveis pela escolha dos componentes de leitura ali encontrados. Tomei como hipótese que ali encontraria apenas leitura de entretenimento e que os objetos de leitura oferecidos seriam Caras, Contigos e Vejas antigas. No entanto, os resultados mostraram que além da leitura esperada há uma outra decorrente de singularidades e de afinidades eletivas e que a motivação de se ler, em salas de espera, nem sempre é a distração.
